Estudo revela que 60% de gestantes já tiveram a zika

Estudo revela que 60% de gestantes já tiveram a zika
O levantamento feito pelo Grupo de Pesquisa da Epidemia de Microcefalia (Merg) da Fiocruz de Pernambuco. Foram triadas 262 gestantes em 2016. Entre elas, 89 filhos nasceram com a microcefalia e 173 não tinham esta malformação adicionada no dia 13/03/2019 08:23h

Um estudo sorológico com 262 gestantes que pariram entre janeiro e novembro de 2016, em Pernambuco, indicou que cerca de 60% delas haviam sido infectadas pelo zika e quase a totalidade tinham anticorpos para a dengue. O dado faz parte de um levantamento feito pelo Grupo de Pesquisa da Epidemia de Microcefalia (Merg) da Fiocruz de Pernambuco

O relatório completo foi publicado esta semana no periódico O PLOS Neglected Tropical Diseases. Nesta terça-feira (12), o tema foi um dos assuntos do seminário internacional “Zika Vírus: Três Anos após a Epidemia - Pesquisas em desenvolvimento e perspectivas de novas parcerias Pernambuco”, que reuniu na sede da Fiocruz Pernambuco, no Recife, os maiores nomes da pesquisa sobre o vírus. 


“O que ficou muito claro nesse estudo é que havia um grande percentual de mulheres - tanto mães de casos de microcefalia como mães controle (sem microcefalia) - infectadas por zika. Isso mostra que foi uma epidemia que teve uma taxa de ataque muito alta naquele período. Também verificou-se que maioria delas também já tinha uma exposição prévia a dengue”, explicou a pesquisadora Celina Turchi. Ela destacou que das 262 grávidas triadas em oito maternidades da Região Metropolitana, 89 dos filhos nasceram com a microcefalia e 173 não tinham esta malformação. 

 

No geral, apenas 7,25% das mães foram positivas para infecção recente pelo zika, o que significa dizer que o contágio delas era superior a seis meses antes do parto. Nenhuma delas apresentava no momento do parto, os sinais agudos do vírus. A presença de muitas mulheres com anticorpos para dengue (principalmente a tipo 3 e 4) indicam que este pode não gerar proteção para a infecção futura de zika, como se imaginava.

Além do levantamento do status sorológico das gestantes do período da epidemia, outros estudos estão engatilhados para serem finalizados em 2019. “Estamos escrevendo vários artigos. Há um sobre epilepsia com achados nos primeiros dois anos das crianças. Tem um que fala sobre disfagia que é uma complicação relativamente comum na microcefalia e tem um estudo de avaliação de desenvolvimento de crianças de microcefalia e sem microcefalia, mas com infecção congênita por zika. Será a primeira avaliação de desenvolvimento neurocognitivo dessas crianças”, enumerou o pesquisador do Merg, o médico Demócrito Miranda. Ele comentou que a presença do autismo nas crianças afetada pela Síndrome Congênita do Zika (SCZ) é uma possibilidade que os especialistas vem considerando, mas se supõe que a presença do espectro pode ser maior nelas que na população geral. 

A neurologista do Hospital da Restauração e estudiosa das complicações neurológicas do zika e outras arboviroses na população adulta e infantil, Lúcia Brito, também revelou está em curso um estudo sobre o mecanismo que leva pacientes de arbovírus a terem complicações como a Síndrome de Guillain-Barré (SGB)

“Estamos fazendo um trabalho conjunto com a imunologia do Fiocruz para estudar a resposta imunológica desses pacientes. Tanto crianças como adultos. Aqueles que tiveram a infecção e notadamente tiveram a complicação (neurológica) e esse número crescente de complicações sem uma apresentação clínica (sinais de sintomas de arboviroses) tão exuberante. No nosso hospital já são 360 casos de complicações neurológicas agudas supostamente por arboviroses, incluindo SGB, que continua em nível muito alto”, disse a médica. 

Fonte: Folha PE

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