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Tráfico de drogas desafia segurança em Juazeiro e comandante aponta retrabalho como um dos principais obstáculos
Por Sandro Costa
Publicado em 24/09/2026 11:01
Noticias

O combate ao tráfico de drogas em Juazeiro enfrenta, segundo o comandante do CPR-N, coronel Wildon Teixeira, uma série de obstáculos que vão desde a vulnerabilidade de crianças e adolescentes até a reincidência de suspeitos e as dificuldades do sistema prisional. Durante entrevista ao podcast Café com Blog, ele apontou o chamado “retrabalho” como um dos principais desafios para as forças de segurança.

Ao responder sobre a dificuldade de combater o tráfico na cidade, Wildon destacou a quantidade de crianças e jovens que permanecem fora da escola e de outras atividades de proteção social. Segundo ele, no início da gestão do prefeito Andrei Gonçalves, o gestor teria relatado a existência de cerca de 11 mil crianças e adolescentes fora das escolas.

Para o comandante, esse público acaba ficando mais vulnerável à atuação do tráfico. “Mão de obra especializada é o tráfico. O tráfico quer isso. É a criança fora da sala de aula, é a criança fora da praça de esporte, é a criança fora da sua residência”, disse.

Wildon também apontou diferenças na forma como a legislação trata adolescentes envolvidos com atos infracionais, em comparação com adultos presos em flagrante. Segundo ele, isso faz com que as forças de segurança tenham que lidar repetidamente com os mesmos indivíduos.

“Nós fazemos retrabalho o tempo todo. Quando nós pegamos um adulto, adulto já com a droga, com o ilícito na mão, que é flagranteado, é muito mais fácil para o nosso judiciário deixá-lo que ele fique ali no presídio, cumpra sua pena, mas quando nós falamos de adolescentes, jovens, a lei é muito frágil ainda e nós fazemos diversos retrabalhos”, explica o comandante.

Outro fator citado pelo comandante é a própria característica geográfica da região. Wildon destacou que o Rio São Francisco e as ilhas existentes na área podem favorecer o tráfico e o plantio de maconha. Ele afirmou que as forças de segurança vêm intensificando as ações de erradicação de plantações. “Eu digo isso porque o ano passado nós fomos recordistas em erradicação de roça de maconha. Foram quase 1 milhão de pés de maconha. Esse ano já estamos alcançando essa meta aí de um 1 milhão de pés de maconha erradicados”, destacou.

Para o coronel, a reincidência de suspeitos também representa um grande desafio. “Tem elementos que nós prendemos aí três, quatro, cinco, dez vezes o mesmo elemento”.

Wildon ainda relacionou o enfrentamento ao tráfico à necessidade de atuação integrada entre segurança pública e sistema prisional. Ele afirmou que, em Juazeiro, são realizadas operações e revistas no presídio para impedir a entrada e o uso de celulares pelos internos. Segundo o comandante, atualmente a unidade abriga cerca de 1.730 internos.

Na avaliação apresentada durante a entrevista, a atuação dentro do sistema prisional também faz parte da estratégia de enfrentamento à criminalidade na região.

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